28 de outubro de 2020

Não existe risco zero – Entenda o que ocorreu com os Perfis Conservadores dos Planos CD’s no mês de setembro

O principal motivo para esse stress é a preocupação com a situação fiscal do Brasil, pois de março para cá, por conta da pandemia, a arrecadação despencou e o gasto público subiu exponencialmente, haja vista a necessidade de tomar medidas emergenciais para proteger a parcela mais vulnerável da população. Acontece que, por conta desse aumento […]

O principal motivo para esse stress é a preocupação com a situação fiscal do Brasil, pois de março para cá, por conta da pandemia, a arrecadação despencou e o gasto público subiu exponencialmente, haja vista a necessidade de tomar medidas emergenciais para proteger a parcela mais vulnerável da população.

Acontece que, por conta desse aumento na dívida pública (que se aproxima rapidamente de 100% do PIB) os investidores passaram a questionar a capacidade de pagamento do Brasil ao longo do tempo e, por conseguinte, passaram a exigir mais juros para emprestar ao país, isto é, para comprar títulos públicos, o que levou a uma desvalorização desses ativos.

Por mais que pareça contraintuitiva, a lógica do mercado de renda fixa, do qual os títulos públicos são os maiores representantes – é que quando a taxa de juros de um título sobe, o seu valor, naquele momento, cai. O que não quer dizer que o investidor deixará de receber os juros combinados no momento da compra do título.

Bom, esse raciocínio é muito fácil de compreender quando pensamos em títulos públicos prefixados (Tesouro Prefixado ou LTN) ou títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA ou NTN-B), pois suas taxas são pré-estabelecidas.

Mas quando se trata dos títulos públicos pós fixados (Tesouro Selic) a conta não é tão simples. Assim como muitos investidores, talvez você esteja pensando: “Estes títulos não são os mais seguros do país? O rendimento deles não é acrescido dia a dia?”
Sim, você está certo. Os rendimentos desses títulos são acrescidos dia a dia e não é comum que apresentem retornos negativos, a menos que haja alguma distorção no mercado, como a que está acontecendo neste exato momento. A última vez que estes títulos apresentaram retornos negativos foi há 18 anos, quando os fundos de investimentos foram obrigados a fazer marcação a mercado das suas carteiras.

Por serem ativos pós-fixados e com baixa volatilidade, as carteiras dos Perfis Super Conservador e Conservador dos planos CD’s possuem uma grande exposição neste tipo de ativo, já que o objetivo é obter retornos próximos ao CDI. Como verificamos, não há garantia de inexistência de volatilidade, o risco, ainda que em menor proporção, sempre estará presente em qualquer investimento.
Ocorre que, a desconfiança do mercado com as contas públicas brasileiras é tamanha que o Tesouro não está conseguindo rolar sua dívida de médio e longo prazo por falta de demanda, ou porque aqueles que tem interesse em adquirir esses títulos estão exigindo taxas muito elevadas. Diante disso, o Tesouro tem aumentado a oferta de títulos de curto prazo, o que elevou sobremaneira a oferta, isto é, há mais títulos à venda que investidores dispostos a adquiri-los.

Por conta dessa combinação de maior aversão a risco e excesso de oferta, o Tesouro não está conseguindo vender os títulos pós-fixados pagando uma taxa de 2%, como instituiu o Banco Central. Os investidores estão exigindo uma taxa maior para compensar o risco, o quê, no jargão do mercado, é conhecido como prêmio.
Essa distorção fez com que o rendimento da Taxa Selic diária ficasse negativa em boa parte do mês de setembro, fazendo com que o Tesouro Selic ficasse no campo negativo.

Vale reiterar que essa distorção é extremamente incomum e está acontecendo por conta do momento singular pelo qual o país passa. Contudo, o Banco Central e a Secretária do Tesouro Nacional já estão adotando medidas para solucionar o problema. A expectativa é que essas pequenas perdas pontuais sejam regularizadas ao longo do tempo, tão logo o país consiga organizar seu planejamento fiscal.

É importante frisar que estes títulos continuam sendo os mais seguros da economia e que essa distorção ocorreu em todos os títulos públicos, com maior intensidade naqueles prefixados e maior prazo de vencimento.

Por fim, vale mencionar que este problema técnico afetou todo o mercado, ou seja, todas as carteiras e fundos que investem nestes títulos foram impactados em algum grau, dentre eles os perfis das modalidades Conservador e Super Conservador dos planos administrados pela Néos Previdência a partir de 01 de outubro.

Neste sentido, a Área de Investimentos da Néos Previdência está acompanhando diariamente o mercado e tomando todas as medidas cabíveis para salvaguardar o patrimônio dos seus Participantes e Assistidos.

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